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Comerciantes terão de adotar medidas à logística reversa

Comerciantes terão de adotar medidas à logística reversa

27-03-2014

Com a proximidade da implementação da Lei Nacional de Resíduos Sólidos, os pequenos e médios empresários do comércio brasileiro precisarão se unir para formar um grupo capaz de implementar medidas de logística reversa ou se afiliarem às entidades que estão em constante negociação com o governo.

A opinião é do presidente do conselho de sustentabilidade da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), José Goldemberg. "Para que esses empresários possam encontrar soluções para se enquadrar nessa lei eles vão precisar estar próximos ou criarem entidades gestoras. Com isso, eles podem até conseguir a mesma voz que as entidades setoriais hoje têm ao tratar com o governo brasileiro."

Atualmente, no segmento varejista, as entidades que têm desempenhado um papel positivo nas negociações entre o governo, a indústria e o comércio são: Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Associação Paulista de Supermercados (Apas), a Fecomercio e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). "Temos uma excelente participação das entidades que representam os comerciantes brasileiros", como afirmou o secretário de recursos hídricos e ambiente urbano do Ministério do Meio ambiente, Ney Maranhão.

Durante encontro promovido na FecomercioSP - que debateu as medidas já iniciadas para a implementação de forma rentável das exigências da Lei de Resíduo Sólidos -, Maranhão afirmou que as entidades do comércio têm atuado ao lado das que atuam com a indústria, para que toda a cadeia produtiva, do fornecedor ao consumidor, tenha responsabilidade compartilhada na redução da produção de resíduos.

"Das cinco cadeias distintas, três já entregaram os seus projetos, sendo elas: embalagens de óleo lubrificantes, lâmpadas e embalagens em geral. A [área] de eletroeletrônicos, um dos segmentos que mais teve dificuldades em se organizar, pois havia um impasse em relação à concorrência de mercado, está com seu projeto em fase de ajuste. E esperamos no dia 1º de abril receber a proposta da cadeia de medicamentos", afirmou.

Além da coleta seletiva, da criação de organizações de catadores (que têm papel fundamental na implementação da lei), a logística reversa também terá de ser implantada, mas foi justamente esse ponto que causou o maior desconforto entre as partes envolvidas na Lei de Resíduos Sólidos.

"Temos um grande problema quando o assunto chega aos custos. Sendo mais exato, quem arcará com essa despesa", disse o diretor vice-presidente da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), Nelson Bugalho.

O vice-presidente ressaltou que esse é o momento de definir, de forma sensata, o papel dos atores para que no futuro não sejam necessárias intervenções nas soluções implementadas pelas empresas e pelos representantes dos municípios brasileiros. Em agosto deste ano, a lei entra em vigor com a obrigatoriedade da extinção dos lixões e a criação de aterros sanitários. Mesmo sendo essa a primeira exigência do governo, algumas ações pontuadas por certas redes varejistas mostram, aos poucos, que os envolvidos têm conseguido se enquadrar no novo patamar da economia.

Iniciativas
As três principais redes supermercadistas em atuação no País -Grupo Pão de Açúcar (GPA), Carrefour e Walmart - já têm medidas de logística reversa aplicadas em suas operações. Mas há outros casos, como o da rede paranaense Super Muffato. Há 10 anos ela diz implementar ações que se enquadram nas exigências do governo. "Nossa equipe é orientada e treinada para fazer a separação de todos os materiais recicláveis ou reaproveitáveis, que semanalmente são recolhidos por empresas parceiras de reciclagem", explicou ao DCI o diretor administrativo do Grupo Muffato, Noroli do Nascimento.

Outra ação promovida e custeada pela empresa é o recolhimento de óleo de cozinha usado nas 45 lojas do grupo, que é convertido em biodisel. "Temos parceria com uma empresa especializada na transformação desse óleo em combustível. Em breve isso será ampliado ao consumidor também."

Em São Paulo, a Coop - Cooperativa de Consumo também dá seus primeiros passos na adequação da nova lei. "Para os resíduos gerados por impossibilidade de venda, estamos trabalhando dentro do sistema de logística reversa, ou seja, estamos procurando equacionar o retorno desse produto, resíduo ou embalagem pelo fluxo reverso, dentro da cadeia de abastecimento, para que voltem para a indústria ou outro fim que seja uma destinação ambientalmente correta", disse o supervisor de gerenciamento de resíduos, Leonardo Pimenta. O setor de telefonia móvel, hoje, é o mais adiantado, tanto em acordo setorial quanto na prática.

Fonte: DCI/Portal Abras